Skip to content Skip to footer

Nova regra do Pix amplia rastreamento de dinheiro desviado: o que muda na prática?

Uma importante atualização nas normas do Banco Central, voltadas ao combate a golpes envolvendo transações por PIX entrou em vigor há uma semana, no último dia 23 de novembro.
O objetivo da mudança é reforçar o rastreamento do dinheiro desviado e aumentar as chances de recuperação dos valores pelas vítimas, um avanço relevante diante do crescimento de fraudes digitais no país.
Antes da mudança, o denominado Mecanismo Especial de Devolução (MED) permitia que os bancos bloqueassem e devolvessem valores enviados por PIX em casos de golpe, porém com uma limitação crítica: os bancos somente conseguiam rastrear a primeira conta para onde o dinheiro havia sido enviado.
Entretanto, quadrilhas especializadas em fraude digital tem por hábito a transferência dos valores para diversas contas, pulverizando o dinheiro em poucos minutos, o que tornava o rastreamento difícil e frustrava a devolução à vítima.
Segundo estatísticas do Banco Central, apenas 7% dos valores desviados foram devolvidos às vítimas no ano de 2024, o que representa quantidade ínfima diante do número de golpes aplicados.
O que muda com o novo MED 2.0?
A atualização do mecanismo, apelidada de “MED 2.0”, amplia o alcance das instituições financeiras para seguir o caminho do dinheiro. Agora, se os criminosos dividirem o valor em várias contas, o Banco Central poderá rastrear todas elas.
Assim, o foco deixa de ser apenas a primeira conta utilizada pelos fraudadores, e passa a abranger todo o caminho financeiros percorrido pelos valores, durante até cinco níveis de transferência. Ou seja, mesmo se o dinheiro for pulverizado em cadeia, o rastro será analisado do início ao fim.
O Banco Central afirma que, com o novo sistema, será possível devolver recursos desviados em até 11 dias após a contestação pela vítima, prazo muito inferior ao utilizado antes da mudança.
A mudança já está em vigor, mas a adoção integral por todas as instituições somente será obrigatória a partir de 2 de fevereiro de 2026.
E o que isso significa para o usuário comum?
Mais proteção para quem usa o Pix no dia a dia, maior chance de recuperação dos valores em caso de golpe em razão do rastreamento mais profundo, que atinge toda a rede de contas usadas pelos criminosos, além de contar com um processo mais rápido e automatizado.
Apesar de não eliminar o risco de golpes, o MED 2.0 reduz a sensação de impunidade e reforça a responsabilidade das instituições financeiras no combate ao crime digital, trazendo avanço significativo na segurança do PIX, fortalecendo o papel do Banco Central no enfrentamento de fraudes, especialmente diante da sofisticação das quadrilhas digitais.
A implementação do MED 2.0 é, desse modo, um passo importante na construção de um ambiente de pagamentos mais seguro, transparente e confiável.